quinta-feira, 5 de julho de 2012

    NÃO faça apresentações como Steve Jobs

    Esqueça tudo o que você já aprendeu sobre oratória e apresentações em público. Jogue fora aquelas regrinhas e técnicas batidas e generalizadas. Não que elas não prestem para nada, mas elas podem não servir para VOCÊ.
    Como assim? Eu explico.
    A apresentação em público é um dos maiores medos que o novo mundo trouxe (agora temos que apresentar balanços, relatórios, sugestões, métricas e mais uma série de informações diante de nossos chefes  e colegas de trabalho). Pesquisas mostram que a resposta à pergunta "Qual o seu maior medo?", em algumas regiões do mundo, falar em público chega a superar até o medo da morte.
    Aproveitando-se disso existe um mercado faminto por vender livros, palestras e cursos, cheios de fórmulas mágicas de como você pode virar um grande apresentador. Alguns, de fato, são muito bons, mas muitos deles são pura enganação e jogam na sua mão um monte de regrinhas milagrosas que, se não der certo, é porque você não seguiu o caminho dos tijolos amarelos da maneira correta.
    A ideia deste post é tentar desmistificar um pouco a chamada arte de falar em público.
    Em primeiro lugar, não é arte nenhuma. Falar em público se tornou uma necessidade em quase todos os empregos do mundo moderno, especialmente em grandes empresas e, além disso, é uma das nossas principais formas de comunicação e transmissão de conceitos e ideias.
    Ok, eu sei que é importante, mas porque que eu sinto tanto medo e nervosismo?
    Este é outro ponto que precisamos desmistificar. O medo é algo normal, natural e, até mesmo, o seu maior aliado. Quando comecei a dar palestras sobre o tema, assim que eu terminava, algumas pessoas se aproximavam e me perguntavam "Como você faz para não sentir medo?", a resposta é simples "Quem disse que eu não sinto medo?". De tanto que me faziam essa pergunta eu reformulei a palestra e fui pesquisar um pouco para explicar porquê sentimos medo e como ele pode ser nosso aliado.
    O medo é uma reação instintiva do nosso organismo para situações em que estamos correndo perigo, porém, o medo está na classificação das reações inconscientes, ou seja, não é possível desconectar o medo. O que acontece em situações como quando vamos falar ante uma plateia é que o nosso cérebro, com o processo evolucionista, passou a entender algumas situações como perigosas. Ao ficar de frente com o seu público você se encontra sem nenhuma arma de defesa, diante de um aglomerado de pessoas que ficam te olhando atentamente, dependendo do lugar ainda estará em um ambiente a meia luz e com poucas rotas de fuga. O nosso cérebro entende isso como um risco de ataque imediato e nos coloca em posição de alerta, nos faz sentir medo.
    Portanto, não se sinta como um ser bizarro, o medo em apresentações é normal, mais do que isso, o medo é o seu maior aliado, pois é ele quem vai te fazer pensar duas vezes antes de tomar certas atitudes, além disso, o medo aumenta a velocidade do nosso raciocínio, portanto, você vai pensar mais rapidamente do que a maior parte da plateia. Logicamente se o medo te deixar paralisado ou causar outras reações que te impeçam de assumir a frente, você deverá tentar identificar a causa e procurar formas de auto-controle.
    Assim chegamos no que eu considero os itens mais importantes, por isso vou colocá-los em tópicos.

    Saiba o que você está falando: Conheça muito bem o conteúdo que você irá apresentar. Isso é essencial. Saber sobre o que você está falando vai te dar mais segurança na hora de falar e transmitirá confiança para a plateia. Se você não conhecer muito bem o assunto evite falar sobre ele e dê preferência àqueles que você conhece de verdade. Não queira aprender em cima da hora só para "fazer tipo" para o seu chefe, isso pode ser pior e jogar a sua imagem no chão.
      Conheça a si mesmo: Parece óbvio, mas a maior parte das pessoas não conhece a si mesmo. O que quero dizer aqui é que você deve, antes de mais nada, analisar qual o seu temperamento? Você é introvertido ou extrovertido? Você é sério, divertido ou brincalhão, mas sabe a hora de falar sério? Em suma, identifique os seus pontos fortes e fracos.


      Conheça o seu corpo: Toque-se mais. Conheça cada vértebra do seu corpo. Como você anda? Como você se move? Como você gesticula? Quando você vai fazer uma apresentação boa parte da informação será transmitida através de quesitos não verbais, como a expressão corporal, por isso, tire as mãos do bolso e ajude a reforçar aquilo que você está falando com gestos, expressões faciais ou movimentos corporais.

      FUJA DO ESPELHO: Tanto entre profissionais da oratória, quanto com o público leigo a "dica" de ensaiar na frente do espelho é muito comum. E eu lhes digo, fujam do espelho. Essa ferramenta pode lhe ser muito interessante em um estágio avançado, para treinar movimentos específicos ou para conhecer melhor a sua expressão facial, de resto, o espelho só lhe trará malefícios. Ele vai fazer com que você se concentre muito mais em questões estéticas e esqueça que um dos pontos mais importantes para a apresentação é o conteúdo. Não adianta ter boa expressão corporal se o que você diz não faz o menor sentido.
        Escreva: Escreva um roteiro, melhor, escreva três roteiros. Primeiro coloque no papel as informações que você quer transmitir, depois escreva o que você quer falar e, por fim, escreva um roteiro exatamente como você quer falar. Mas não decore esse roteiro, a não ser que você seja um bom ator, o texto decorado ficará com ar robótico e sem interpretação. Esses roteiros vão te ajudar a ficar mais íntimo do assunto e estruturá-lo na sua mente.

        Treine, e muito: O treinamento é a chave para uma boa apresentação, não adianta fazer tudo o que falei acima e não treinar. Na hora você ficará nervoso e vai se perder. Quando você começar a conseguir fazer a apresentação sem nenhum apoio (power point, flip chart, quadro negro, etc), significa que você já treinou o suficiente, então, descanse e depois treine um pouco mais.




          Separei em tópicos, pois acho que são informações importantes, mas não devem ser seguidas como regras imutáveis, cada um, conforme for se conhecendo, vai desenvolver o seu próprio jeito de fazer apresentações e a pessoa deverá seguir nesse caminho, pois ele será o mais confortável e o mais adequado.
          Importante lembrar que aqui só coloco alguns itens pois descobrir o apresentador que existe dentro de você não é algo da noite para o dia e, se sentir dificuldades de trilhar esse caminho sozinho assista à uma palestra, faça um curso ou compre um livro, mas tome cuidado com o conteúdo que irão lhe apresentar para não cair nas armadilhas das regrinhas mágicas.
          Caso queira me mandar suas dúvidas, fique a vontade, terei o maior prazer em responder: contato@montleo.com

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