terça-feira, 11 de setembro de 2012

    Twitter: Cada vez mais perto do fim... Só que não


    Ultimamente vem sendo muito discutido sobre o tempo de vida das redes sociais. Estudiosos, especialistas, pesquisadores e entusiastas em geral dando a sua opinião sobre qual vai morrer primeiro.
    Com o Orkut já fora de jogada, a maior parte aponta o Twitter como o próximo a ter o óbito declarado.

    Acontece que as opiniões ainda estão com fundamentos muito superficiais (uns se baseiam em pesquisas que mostram que 73% dos usuários do microblogestão inativos, outros em pesquisas que mostram que o pássaro azul vem fazendo voo rasante com a grande diminuição na sua audiência aqui noBrasil). Na minha opinião essas pesquisas mostram que as pessoas não estão usando muito os seus 140 caracteres, mas até aí chegarmos à conclusão de que ele irá morrer, me parece um pouco precipitado.
    Eu acho que a história pode ser um pouco diferente do que falam por aí. Penso que o Twitter não é a próxima rede social a morrer no mundo digital, mas na verdade ela será uma das redes sociais com maior tempo de vida.
    Explico isso usando a mim mesmo como exemplo. Há alguns meses desativei minha conta no Orkut, por perceber que não me tinha mais utilidade nenhuma. No mesmo período comecei a usar o Pinterest, o Google+, Fancy e várias outras redes sociais mais novinhas, mas nenhuma delas me parecia tão interessante a ponto de me prender por horas, foi então que me lembrei da minha abandonada conta do Twitter... Voltei pro microblog devagar e achando tudo muito estranho (faziam já alguns meses que não atualizava meu perfil e o site já tinha passado por duas modernizações, então pra mim estava tudo diferente), mas depois de um dia dando uns RT's já tinha pegado o jeito de novo e, hoje, voltei a usar o Twitter de maneira bem intensa e lembrei o porquê gostava tanto dele.
    Se você parar pra pensar, até uns três meses atrás o meu perfil estava entre os sei lá quantos mil (ou milhões) inativos. O Twitter, pra mim, não irá morrer, ele será a rede social da transição. Agora, aqui no Brasil, o Facebook está passando por um momento onde os usuários mais antigos estão procurando outra rede social (seja porque o face está cheio de parentes, seja pelo excesso de socialização, etc) e a verdade é que o Twitter, por possuir uma quantidade reduzida de funções, opções e até de caracteres acaba sendo a rede social “zero”, quase um feed de notícias mais moderninho.
    O pássaro azul te permite socializar, bater papo, compartilhar e favoritar assuntos de maneira fácil, rápida e com uma simplicidade que é o seu maior trunfo.
    Quando começamos a cansar daquela super rede social, lembramos do Twitter, a opção neutra, sem frescuras e com poucas (mas úteis) funções.

    terça-feira, 31 de julho de 2012

    O Engessamento da Propaganda

    Já faz algum tempo que me sinto abismado com a enorme quantidade de campanhas que sofrem algum tipo de intervenção (que vão desde um pedido de alteração a até a solicitação de suspensão da campanha e aplicação de penalidades) pelo conselho auto-regulamentador da publicidade brasileira (CONAR). Cheguei há algum tempo atrás a sair em defesa de uma marca de cerveja pelo que, na minha opinião, foi uma atitude excessiva do conselho. (como você pode ver aqui)
    Agora, como se não bastasse a quase censura a qual nos tornamos habituados aqui em terras tupiniquins, vejo que o hábito começou ser exportado para outros países. Um excelente exemplo disso é a atual denúncia do Mc Donald's contra o Burguer King Brasil por marketing de emboscada pela campanha "Batata em Dobro". De acordo com informações do Meio & Mensagem o COI (Conselho Olímpico Internacional) aceitou a denúncia e dará prosseguimento às investigações exigindo explicações do Burger King.
    Vamos fazer uma breve análise dessa campanha...
    Bem, na última vez que li o manual que regulamenta as ações publicitárias durante o período de realização das Olimpíadas, os principais itens que são vetados àqueles que não são patrocinadores oficiais do evento são o uso de quaisquer símbolos ligados aos jogos (como por exemplo a imagem da tocha olímpica, uso de marcas oficiais, uso de palavras como "ouro", "prata" e "bronze"). Os únicos itens, dos citados anteriormente, que a campanha do Burguer King usa são as palavras, "ouro", "prata" e "bronze", porém as palavras entraram em um contexto de regulamento da campanha e não como itens de divulgação da peça. A palavra "medalha" usada por eles inclusive em um tweet do Anderson Silva (patrocinado pelo BK), até essa minha última leitura, não constava no manual como uma das vetadas.

    Fatos como esse vem se tornando comum no cenário da propaganda ao redor do globo. O que me faz perguntar, até onde podemos ir na regulamentação das campanhas sem cair no colo tépido da censura?
    Será que no futuro as agências de comunicação terão que mandar suas peças para o CONAR, antes de colocá-las no ar, para receber a sua aprovação?
    O que vejo são, em alguns casos, atitudes baseadas em interesses estranhos à ética, moral e respeito alheio. Interesses que visam defender grandes conglomerados e que causam prejuízo à criatividade, à liberdade de expressão e de informação.
    Assisto com sensação de inutilidade atitudes que vetam ações da mais pura criatividade fazendo com que algumas marcas, por medo de penalidades, prefiram ficar no simples arroz-com-feijão do marketing, evitando peças mais ousadas e transgressoras, que poderiam trazer um maior rendimento e estímulo a economia.

    #ProntoFalei

    quinta-feira, 5 de julho de 2012

    NÃO faça apresentações como Steve Jobs

    Esqueça tudo o que você já aprendeu sobre oratória e apresentações em público. Jogue fora aquelas regrinhas e técnicas batidas e generalizadas. Não que elas não prestem para nada, mas elas podem não servir para VOCÊ.
    Como assim? Eu explico.
    A apresentação em público é um dos maiores medos que o novo mundo trouxe (agora temos que apresentar balanços, relatórios, sugestões, métricas e mais uma série de informações diante de nossos chefes  e colegas de trabalho). Pesquisas mostram que a resposta à pergunta "Qual o seu maior medo?", em algumas regiões do mundo, falar em público chega a superar até o medo da morte.
    Aproveitando-se disso existe um mercado faminto por vender livros, palestras e cursos, cheios de fórmulas mágicas de como você pode virar um grande apresentador. Alguns, de fato, são muito bons, mas muitos deles são pura enganação e jogam na sua mão um monte de regrinhas milagrosas que, se não der certo, é porque você não seguiu o caminho dos tijolos amarelos da maneira correta.
    A ideia deste post é tentar desmistificar um pouco a chamada arte de falar em público.
    Em primeiro lugar, não é arte nenhuma. Falar em público se tornou uma necessidade em quase todos os empregos do mundo moderno, especialmente em grandes empresas e, além disso, é uma das nossas principais formas de comunicação e transmissão de conceitos e ideias.
    Ok, eu sei que é importante, mas porque que eu sinto tanto medo e nervosismo?
    Este é outro ponto que precisamos desmistificar. O medo é algo normal, natural e, até mesmo, o seu maior aliado. Quando comecei a dar palestras sobre o tema, assim que eu terminava, algumas pessoas se aproximavam e me perguntavam "Como você faz para não sentir medo?", a resposta é simples "Quem disse que eu não sinto medo?". De tanto que me faziam essa pergunta eu reformulei a palestra e fui pesquisar um pouco para explicar porquê sentimos medo e como ele pode ser nosso aliado.
    O medo é uma reação instintiva do nosso organismo para situações em que estamos correndo perigo, porém, o medo está na classificação das reações inconscientes, ou seja, não é possível desconectar o medo. O que acontece em situações como quando vamos falar ante uma plateia é que o nosso cérebro, com o processo evolucionista, passou a entender algumas situações como perigosas. Ao ficar de frente com o seu público você se encontra sem nenhuma arma de defesa, diante de um aglomerado de pessoas que ficam te olhando atentamente, dependendo do lugar ainda estará em um ambiente a meia luz e com poucas rotas de fuga. O nosso cérebro entende isso como um risco de ataque imediato e nos coloca em posição de alerta, nos faz sentir medo.
    Portanto, não se sinta como um ser bizarro, o medo em apresentações é normal, mais do que isso, o medo é o seu maior aliado, pois é ele quem vai te fazer pensar duas vezes antes de tomar certas atitudes, além disso, o medo aumenta a velocidade do nosso raciocínio, portanto, você vai pensar mais rapidamente do que a maior parte da plateia. Logicamente se o medo te deixar paralisado ou causar outras reações que te impeçam de assumir a frente, você deverá tentar identificar a causa e procurar formas de auto-controle.
    Assim chegamos no que eu considero os itens mais importantes, por isso vou colocá-los em tópicos.

    Saiba o que você está falando: Conheça muito bem o conteúdo que você irá apresentar. Isso é essencial. Saber sobre o que você está falando vai te dar mais segurança na hora de falar e transmitirá confiança para a plateia. Se você não conhecer muito bem o assunto evite falar sobre ele e dê preferência àqueles que você conhece de verdade. Não queira aprender em cima da hora só para "fazer tipo" para o seu chefe, isso pode ser pior e jogar a sua imagem no chão.
      Conheça a si mesmo: Parece óbvio, mas a maior parte das pessoas não conhece a si mesmo. O que quero dizer aqui é que você deve, antes de mais nada, analisar qual o seu temperamento? Você é introvertido ou extrovertido? Você é sério, divertido ou brincalhão, mas sabe a hora de falar sério? Em suma, identifique os seus pontos fortes e fracos.


      Conheça o seu corpo: Toque-se mais. Conheça cada vértebra do seu corpo. Como você anda? Como você se move? Como você gesticula? Quando você vai fazer uma apresentação boa parte da informação será transmitida através de quesitos não verbais, como a expressão corporal, por isso, tire as mãos do bolso e ajude a reforçar aquilo que você está falando com gestos, expressões faciais ou movimentos corporais.

      FUJA DO ESPELHO: Tanto entre profissionais da oratória, quanto com o público leigo a "dica" de ensaiar na frente do espelho é muito comum. E eu lhes digo, fujam do espelho. Essa ferramenta pode lhe ser muito interessante em um estágio avançado, para treinar movimentos específicos ou para conhecer melhor a sua expressão facial, de resto, o espelho só lhe trará malefícios. Ele vai fazer com que você se concentre muito mais em questões estéticas e esqueça que um dos pontos mais importantes para a apresentação é o conteúdo. Não adianta ter boa expressão corporal se o que você diz não faz o menor sentido.
        Escreva: Escreva um roteiro, melhor, escreva três roteiros. Primeiro coloque no papel as informações que você quer transmitir, depois escreva o que você quer falar e, por fim, escreva um roteiro exatamente como você quer falar. Mas não decore esse roteiro, a não ser que você seja um bom ator, o texto decorado ficará com ar robótico e sem interpretação. Esses roteiros vão te ajudar a ficar mais íntimo do assunto e estruturá-lo na sua mente.

        Treine, e muito: O treinamento é a chave para uma boa apresentação, não adianta fazer tudo o que falei acima e não treinar. Na hora você ficará nervoso e vai se perder. Quando você começar a conseguir fazer a apresentação sem nenhum apoio (power point, flip chart, quadro negro, etc), significa que você já treinou o suficiente, então, descanse e depois treine um pouco mais.




          Separei em tópicos, pois acho que são informações importantes, mas não devem ser seguidas como regras imutáveis, cada um, conforme for se conhecendo, vai desenvolver o seu próprio jeito de fazer apresentações e a pessoa deverá seguir nesse caminho, pois ele será o mais confortável e o mais adequado.
          Importante lembrar que aqui só coloco alguns itens pois descobrir o apresentador que existe dentro de você não é algo da noite para o dia e, se sentir dificuldades de trilhar esse caminho sozinho assista à uma palestra, faça um curso ou compre um livro, mas tome cuidado com o conteúdo que irão lhe apresentar para não cair nas armadilhas das regrinhas mágicas.
          Caso queira me mandar suas dúvidas, fique a vontade, terei o maior prazer em responder: contato@montleo.com

          quinta-feira, 26 de abril de 2012

          Tena Lights - Oooops!

          Cinema: Why Advertise Anywhere Else

          Durante o tempo que fiquei em Londres assisti alguns filmes em dois cinemas da cidade. Nas duas ocasiões assisti uma propaganda cujo mote era "Cinema: why advertise anywhere else" (Cinema: porque anunciar em outro lugar?). Nessa propaganda eram explicitados os motivos de porquê é tão vantajosa a comunicação através da grande tela, mostrava imagens de filmes e faz uma ligação com apelo emotivo que visa absorver a atenção do público e deixá-lo absorto na mensagem tornando-o mais suscetível ao encerramento, onde a frase-mote é dita por um locutor com excelente voz.
          Não consegui encontrar o vídeo da propaganda que cito acima, mas o que está abaixo segue o mesmo conceito.

          'Why Advertise Anywhere Else' DCM Cinema Commercial from Christopher Moon on Vimeo.

          quarta-feira, 25 de abril de 2012

          quarta-feira, 18 de abril de 2012

          Não corte o Marketing!

          O capitalismo tem um ciclo de vida muito parecido com um exame cardíaco, tem seus altos e baixos, seus momentos de crescimento e seus momentos de crise.

          A crise é algo inevitável, pois faz parte de seu ciclo de vida, porém, ela pode ser minimizada, através de programas de desaceleração da economia, valorização/desvalorização da moeda e uma série de outros artifícios econômicos para a manutenção do equilíbrio.

          Hoje o continente europeu passa por uma grave crise econômica e, apesar de o Brasil sentir os efeitos internacionais dessa crise de maneira muito leve, as empresas devem estar preparadas para o enfrentamento de possíveis momentos de maré baixa, tanto em um ambiente macro (quando essa crise atinge a todo o país, ou mundo), quanto em um ambiente micro (quando essa crise é interna, da própria empresa).

          Este post visa dizer explicar apenas um ponto, dentre os tantos outros que devem ser atenção do empresário: Não corte o Marketing!

          Desde o momento em que o futuro empresário ou administrador senta nas cadeiras de uma instituição de ensino, até o dia-a-dia da administração empresarial, o marketing sempre entra na tabela de "Gastos Corporativos", sendo caracterizada, portanto, como um "Custo". Pessoalmente, eu sempre luto para acabar com esse estigma de que o marketing é um custo ou um gasto. 

          As empresas (e quem as administra) tem de começar a entender que o marketing não é um gasto e, sim, um investimento. Sim, ele pode ser um investimento de longo prazo e demorar alguns meses para trazer resultados reais para o caixa da pessoa jurídica.

          Em primeiro lugar, estabeleça uma nova forma de mensurar os resultados das ações de marketing que você irá realizar. Nem sempre esperar 20% de aumento nas vendas logo no mês seguinte ao início da campanha pode ser a melhor forma de avaliar. Dependendo do tipo de campanha, objetivos propostos e planejamento desenhado os resultados podem levar alguns meses para que você comece a visualizar alguma diferença na sua margem de lucro.

          É importante que as empresas vejam os momentos de crise como uma possibilidade de crescimento. Sabe aquele seu produto que anda meio esquecido, mas que vende bem e tem uma produção barata? Então, que tal aproveitar a crise e colocá-lo como carro chefe da sua marca?

          É na crise que as empresas são postas à prova e é nela que devem mostrar o quão bem estruturadas são. Portanto, mostre as caras e invista em marketing, não gaste com marketing.

          terça-feira, 24 de janeiro de 2012

          Os Sinais da Crise na Comunicação Londrina

          A crise econômica que está afetando boa parte da Europa, e do mundo, está tendo reflexos bem perceptivos em todo Reino Unido. Aqui em Londres a tensão política é ainda maior já que, além das olimpíadas, a cidade terá a eleição do novo prefeito da cidade de Londres agora em 2012.
          A turbulência acabou até na demissão do líder do conselho de Westminster após uma "guerra" travada com a oposição, referente à alterações no trânsito da city.
          Os principais jornais trazem todos os dias algum novo problema "gravíssimo", que oferece risco a toda a cidade. A crise mostra sua cara em manchetes como "Porque um britânico não pode conseguir um emprego na Pret?" (Pret A Manger é uma grande rede alimentícia, muito famosa por aqui e com excelentes sanduíches), manchetes falando sobre a diminuição nos postos de trabalho não são muito difíceis de achar e representam a opinião da população, "Eu adoro essa cidade, o problema aqui é só conseguir um emprego..." disse uma senhora para mim no metrô.
          E, obviamente, todo esse ar de tensão financeira se reflete na propaganda. Por todos os lados pipocam anúncios de promoções, queima de estoque, redução de preços e oportunidades que vão te fazer economizar centenas de libras por mês. Sites de vouchers de desconto surgem a todo momento. As empresas, como o Mc Donald's, por exemplo, mostram em diversas campanhas o número de empregos gerados nos últimos anos, com todo orgulho, como se estivessem fazendo a parte delas para ajudar o Reino a evitar os efeitos da crise. As propagandas com referência aos jogos olímpicos já não são mais tão comuns aqui.
          Ainda não presenciei uma alta de preços nem a quebra de nenhuma grande empresa, porém, basta dar uma olhada na cotação da Libra Esterlina e verá que, em menos de um mês, a moeda caiu quase vinte centavos no seu valor.
          A compra de bens duráveis parece se manter estável e as lojas de itens de luxo continuam com bom movimento, alimentado por turistas que começam a aumentar dia após dia.
          A preocupação com uma crise financeira catastrófica, apesar de ser muito explorada por todas as mídias, não é algo com o qual os londrinos tem que se preocupar, as olimpíadas estão atraindo milhares de turistas que irão dar o fôlego necessário para a recuperação financeira.

          Aproveito para já colocar abaixo uma das propagandas da Pret A Manger, que são simplesmente incríveis.
          O texto diz: "Natural desde o primeiro dia. Por favor não envergonhe a comida com conservantes,
          químicas e aditivos."


          quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

          Saatchi & Saatchi - London

          Hoje o dia foi absolutamente incrível. Logo pela manhã fui dar um passeio nos jardins do Green Park e, em seguida, fui visitar o Palácio de Buckingham (apesar de lotado, é simplesmente incrível).
          E para encerrar o meu dia, fui fazer uma visita amigável à Saatchi & Saatchi London.
          Essa que é uma das maiores agências internacionais do mundo e que possui algumas das maiores contas.
          Fui recebido pelo simpático Nick Gold, que ficou responsável em responder minhas perguntas e representar um pouco o pensamento da agência perante a publicidade e o futuro do mercado publicitário.

          Nick disse que a audiência britânica (e por britânica me refiro não só aos londrinos, mas à todos do Reino Unido) é muito "cínica" e, por isso, a propaganda tem de ser muito transparente e honesta, o que faz com que fazer propaganda se torne mais complicado, já que ao pegar um produto complicado de vender (ou até mesmo um produto ruim) o trabalho para convencer o consumidor será muito maior. No Brasil, além de termos de ser honestos com o público, a propaganda ainda deve passar ao consumidor a ideia de que com aquele produto ele terá alguma vantagem (por exemplo: comprando um carro você leva, além do carro, segurança ou velocidade ou status, etc) esse tipo de coisa não funciona por aqui.

          Na minha opinião (com exceção das propagandas produzidas em caráter internacional), os anúncios são bem mais quadrados do que os anúncios brasileiros, Nick me disse que acha que isso acontece pelo padrão comportamental mais sisudo do londrino "aqui, é cada um na sua, não tem muita interação" e isso acaba se refletindo na comunicação produzida para eles.
          (outra coisa que notei é que, por aqui, as propagandas tem muito texto, inclusive nos cartazes na beira das escadas rolantes, sequer dá tempo de ler as informações dos cartazes)

          Chamei a atenção para o fato de não ver muita mídia exterior e ele me disse que aqui a maior parte dos anúncios, de fato, é na mídia in-door e que isso acaba virando um desafio para as agências "como chamar atenção para o nosso anúncio, em meio a tantos anúncios diferentes?"

          Comentei com ele da lei existente na cidade de São Paulo que, basicamente, proíbe a mídia exterior e Nick se pareceu bem surpreso. Ontem fui em uma região repleta de casas de shows e teatros e a mídia exterior por lá é imensa e ocupa grande parte das fachadas. Nas regiões residenciais esse tipo de coisa é mais difícil de acontecer, pois os prédios e as casas avançam até quase a calçada, não sobrando muito espaço par a colocação de painéis ou empenas. Porém onde esse espaço existe, lá estará uma mídia bem disputada.

          Nick me disse que a propaganda está sempre mudando, porém, na sua opinião, a propaganda sempre estará ao redor da ideia, da grande e criativa ideia. Ele acredita que a principal mudança hoje está acerca do conteúdo, o que fará o público interagir e/ou se tornar um amante da marca? Por aqui é o conteúdo que, na visão de Nick, irá transformar a marca em um ídolo (como acontece hoje com a apple, amada pelo público londrino).

          E com tudo isso o que pude perceber é que, apesar de todas as agências terem um funcionamento similar, uma estrutura idêntica, o que vai fazer a agência é o seu público e seus clientes, não importa se estamos falando de uma agência pequena, média, grande ou internacional (como a Saatchi) sua forma de comunicar sempre será diferente. Consegui ainda aprender alguns conceitos que levarei comigo para o Brasil.

          Agradeço de todo coração pela recepção calorosa e pela simpatia que me foi oferecida. Um forte abraço à toda equipe da Saatchi & Saatchi - London e em especial ao Nick Gold. Muito Obrigado!

          Leonardo Monteiro
          Diretor do Blog MontLeo